Quatro Décadas de Luz: A Noite Histórica da Fraternidade Santafeense

No décimo dia do mês de outubro do ano de dois mil e vinte e seis, as portas do Templo se abriram para festejar o tempo, a história e a virtude. A Augusta e Respeitável Loja Simbólica Fraternidade Santafeense nº 72, guardiã de uma belíssima trajetória na promissora cidade de Santa Fé, no Paraná, viveu uma noite que se gravou para sempre nas colunas da eternidade.
O salão de festas, situado na Avenida Azaleia, transformou-se em um verdadeiro cenáculo de harmonia. Ali, cerca de 135 almas — entre dedicados Obreiros, Cunhadas, Sobrinhos, Sobrinhas e convidados — reuniram-se em torno do mesmo ideal, sob a condução firme e serena do Venerável Mestre, Irmão Murilo Scandelae de Morais, que, em visível estado de profunda emoção, tomou da palavra para modular a gratidão da Oficina. Com verbo eloquente e polido, o cinzelador dos trabalhos verteu o sentimento comum em direção ao passado e ao porvir, ofertando, em síntese, um brinde de luz e reverência à memória e ao legado dos onze insignes fundadores, arquitetos pioneiros que desafiaram o deserto e, com desprendimento e rigor geométrico, assentaram a primeira pedra desta fortaleza da virtude. A solidez que hoje é ostentada perante a sociedade de Santa Fé, com firmes ações sociais e filantrópicas, é o somatório indistinto do suor de cada obreiro, do esteio afetuoso de nossas cunhadas e da dedicação de todos os que, no silêncio do desbaste da pedra bruta, amalgamaram suas vidas à história desta Loja. Somos a árvore frondosa porque suas raízes foram nutridas pela fidelidade e pelo sacrifício de homens e mulheres de valor.
A egrégora que se formou a partir deste pronunciamento ecoou nas colunas do salão, reafirmando que o esplendor do presente é tributário direto da herança imperecível daqueles pioneiros.
No Jardim Primavera floresce a virtude,
Onde o cinzel do tempo a pedra poliu,
Quarenta anos de força e de retitude,
Na Oficina que a Luz do Oriente acolheu e uniu.
Sob o teto fraterno, o banquete sagrado,
Reuniu a família em doce harmonia,
O passado de glória ali relembrado,
Fazendo da noite uma santa alegria.

A celebração foi honrada com a presença das mais altas luzes da Grande Loja do Paraná (GLP). O Sereníssimo Grão-Mestre, Irmão José de Faria, o Eminente Deputado do Grão-Mestre, Irmão Glaucio Antonio Pereira, e o Sereníssimo Grão-Mestre de Honra, João Carlos Silveira, trouxeram o brilho de suas dignidades ao Oriente de Santa Fé. Ao lado deles, somaram forças o Grande Secretário das Relações Interiores, Irmão Rubens Vieira, o Eminente Delegado, Irmão José Maria Vieira, e o ilustre membro da casa, Irmão Luciano Tieppo, Grande Segundo Diácono da GLP.
Corações vindos de outros Orientes, entre eles Colorado, Curitiba, Maringá e da Loja Mãe — a ARLS Liberdade e Justiça nº 48, de Astorga — uniram-se como elos de uma corrente inquebrável.
Do solo paranaense vieram os Irmãos,
De tantos Orientes, na mesma jornada,
Estendendo o calor de suas fortes mãos,
Pela senda justa e tão bem trilhada.
E no ponto mais alto de toda a festança,
A comenda dourada, o justo tributo,
Gralha Azul que coroa a real liderança,
De quem deu à Ordem o seu melhor fruto.
O momento de maior emoção e solenidade deu-se quando os Irmãos Pedro Brambilla e Pedro Augusto Frabetti, fundadores da ARLS Fraternidade Santafeense n. 72, foram condecorados com a Comenda Gralha Azul. A mais alta honraria da Grande Loja do Paraná coroou quatro décadas de ininterrupta dedicação e fidelidade aos augustos mistérios. Com toda força e vigor também esteve presente o Irmão Sérgio Bilha Azenha, past Venerável Mestre e que já havia recebido a histórica comenda.
Para eternizar o marco, o Sereníssimo Grão-Mestre, Irmão José de Faria, entregou uma placa comemorativa em nome da GLP, gravando no metal o que já estava escrito na alma de cada presente: a hospitalidade, o carinho e o verdadeiro amor fraternal.
Que o Grande Arquiteto, que o mundo criou,
De sabedoria e luz sempre vista esta grei,
Abençoe a Oficina que o amor cinzelou,
No esquadro e no compasso, na força da lei.
Que a fraternidade, em seu caminhar,
Siga firme no rumo que o mestre traçou,
E que a Santafeense continue a brilhar,
Na sagrada oficina que o tempo sagrou!
Auguramos que os próximos anos da Augusta e Respeitável Loja Simbólica Fraternidade Santafeense nº 72 continuem guiados pelos influxos positivos emanados do Grande Arquiteto do Universo, com muita luz e sabedoria e, em especial, pelo fortalecimento dos laços que unem nossa Ordem.

Texto por Irmão Glaucio Antonio Pereira

Grande Loja do Paraná
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