O Ágape dos Três Faróis: A Abertura dos Trabalhos e a Fusão dos Triângulos
Sob o zênite da Estrela Flamígera e aos influxos do Altíssimo, as portas do salão de ágapes da Associação do Vale das Acácias, situada na acolhedora cidade de Londrina, fecharam-se para o profano. Ali, onde o tempo se dissolve na eternidade da Geometria Sagrada, três correntes distintas de uma mesma Tradição Imemorial sentaram-se à Mesa em forma de ferradura. Eram os mandatários e obreiros de Três Altas Potências Maçônicas, cujos estandartes, embora diversos em insígnias, guardavam a mesma essência espiritual no Oriente terreno, adornando o ambiente com seus delicados e exuberantes bordados.
O Venerável Mestre, Irmão Rogério Lira Furtado, empunhando o malhete da autoridade, fez ecoar o golpe ritual no Altar, despertando os Vigilantes e concitando os irmãos ao silêncio místico. Não se tratava de uma ceia profana destinada a saciar a carne, mas de um banquete teúrgico, onde cada alimento transmuta-se em símbolo e cada libação repete o pacto da Fraternidade Universal. O pão partilhado evoca a substância da terra laborada pelo cinzel da virtude; o vinho, transmutado em “pólvora forte”, aguarda o comando do fogo sagrado para explodir em saúde aos monarcas da sabedoria, à Pátria e à humanidade.
O ar vibrava com a egrégora de três sóis convergentes, cujos raios entrelaçavam-se para erguer o Templo Imaterial da Tolerância.
Dignitários e Altas Autoridades
O estrado mais alto foi ocupado pelo Venerável Mestre da ARLS Trabalho e União n. 123 (GLP), Irmão Rogério Lira Furtado, ladeado pelo Sereníssimo Grão-Mestre da Grande Loja do Paraná (GLP), Irmão José de Faria; pelo Eminente Deputado do Grão-Mestre da GLP, Irmão Glaucio Antonio Pereira; pelo Sereníssimo Grão-Mestre do Grande Oriente do Paraná (GOP), Irmão Vlademir Pires Martins; e pelo representante do Grande Oriente do Brasil – Paraná (GOB-PR), Irmão Gustavo Rubin, coordenador regional.
Autoridades da Grande Loja do Paraná (GLP) presentes:
• Gustavo Henrique Politi – Delegado do Sereníssimo Grão-Mestre para o 9º Distrito
• Adevaldo Rotter – Delegado do Sereníssimo Grão-Mestre para o 8º Distrito
• Pedro Faraco Neto – Grande Orador Adjunto
• Rubens Vieira – Grande Secretário das Relações Interiores
• Luiz Carlos Euzébio – 2º Grande Vigilante
• Arnaldo Silva de Oliveira – Membro da Grande Comissão de Legislação e Justiça
• João Luiz do Prado – Membro da Grande Comissão de Legislação e Justiça
• Geraldo Henrique Guariente – Ministro do Superior Tribunal Maçônico
• Durval Garcia Júnior – Membro da Grande Comissão para Atividades Paramaçônicas
• Livanir João Bortoli – Grande Mestre de Cerimônias Adjunto
• Carlos Alberto Basso – Grande Hospitaleiro Adjunto
A Libação dos Três Graus e das Três Luzes
No centro do Tablado, os copos alinhados,
Como canhões de guerra prontos para o combate,
Não vertem sangue ou pranto aos homens mutilados,
Mas o licor da paz que o próprio erro abate.
Três potências unidas num só juramento,
Três colunas sustentam o teto do Templo:
A Sabedoria que guia o pensamento,
A força que executa, a Beleza no exemplo.
Fogo! – clama o Mestre, e o malhete ressoa,
E a pólvora sagrada eleva-se ao infinito,
Num brinde ritual que a alma preenche e coroa,
Unindo o rito antigo ao tempo mais bendito.
Do Aprendiz que silencia e busca o prumo reto,
A Companheiro atento à sua obra e esquadro,
Até o Mestre que chora o arquiteto veto,
Todos bebem a vida em um eterno quadro.
A Cadeia de União e o Encerramento
Consumados os trabalhos de mesa e recolhidos os materiais simbólicos, os obreiros das Três Potências despiram-se das distinções administrativas para se tornarem um só corpo místico. Sob o comando das Luzes, formou-se a Cadeia de União. Os braços uniram os corações dos irmãos em um circuito inquebrantável de energia e amor fraternal.
Nesse instante supremo, as fronteiras das Obediências desvaneceram-se por completo. Não havia mais o selo de um Grande Oriente ou de uma Grande Loja particular; existia apenas a Maçonaria Universal, una e indivisível. Renovou-se o compromisso de cavar poços profundos aos vícios e erguer templos à virtude. Quando os elos se abriram, o silêncio que se seguiu foi o mais eloquente testemunho de que o Grande Arquiteto do Universo houvera abençoado aquele ágape.
Epílogo: O Legado da Trina Aliança
Mais do que a celebração de um rito secular, o 19º Banquete Ritualístico Conjunto da Região de Londrina fixou na pedra angular da história maçônica paranaense um testemunho indelével de unidade. Ao congregarem-se em torno da mesma Mesa, a Grande Loja Maçônica do Paraná, o Grande Oriente do Brasil (PR) e o Grande Oriente do Paraná demonstraram que as insígnias administrativas curvam-se perante o ideal maior da Fraternidade Universal.
Essa trina convergência de forças — como as três colunas que sustentam as Lojas — renova o compromisso com o progresso social e espiritual da humanidade. Os obreiros retornaram aos seus orientes particulares fortificados por uma certeza partilhada: enquanto esses três faróis brilharem em uníssono, a Maçonaria paranaense permanecerá inabalável, guiando os homens de bem na perpétua busca pela Verdade, pela Justiça e pelo Amor Fraternal.
Texto por Eminente Deputado do Grão-Mestre, Glaucio Antonio Pereira
















