O escritor Kennyo Ismail reuniu aproximadamente 450 Irmãos na última quinta-feira (8), no Templo Nobre da Grande Loja do Paraná (GLP), em Curitiba, para a palestra “Aos influxos dos sãos princípios da moral e da razão”. Realizado pela parceria entre a GLP e a 1ª Região Litúrgica do Paraná, o evento abordou a aplicação dos ensinamentos maçônicos na vida cotidiana e sua contribuição para o aperfeiçoamento pessoal e para a sociedade.
O Sereníssimo Grão-Mestre da GLP, Irmão José de Faria, destacou o encontro como uma excelente oportunidade para fortalecer os laços que unem os maçons na busca pela sabedoria e pela fraternidade. “Ter conosco o Irmão Kennyo, que é uma das mais expressivas referências para a literatura maçônica do país, é um privilégio singular, um momento de profundo aprendizado, reflexão e renovação de nossas colunas espirituais e intelectuais”, disse.
O Inspetor Litúrgico da 1ª Região e assessor especial do Grão Mestre, Irmão Ênio Lepper, reforçou que a Inspetoria tem primado pelo aperfeiçoamento espiritual, pelo aprofundamento dos estudos e pela participação nos trabalhos. “Hoje é um momento especial, no qual temos a oportunidade de ampliar o conhecimento da filosofia maçônica”, disse.
O Irmão Manif Antonio Torres Julio, Soberano Grande Inspetor Geral, membro efetivo do Supremo Conselho do Grau 33 do REAA para a República Federativa do Brasil e assessor especial do Grão-Mestre, que foi um dos organizadores do evento, destacou a produção intelectual do palestrante e o fato dele ter sido o tradutor das principais obras clássicas da Maçonaria para o Português, como Moral e Dogma, de Albert Pike.
O evento contou com a presença do Deputado do Grão-Mestre, Irmão Glaucio Antonio Pereira, e dos Grão-Mestres Honorários da GLP, Irmãos Marco Antônio Corrêa de Sá e Valdemar Kretschmer, Também estiveram presentes a comitiva da Grande Loja Simbólica do Paraguai, liderada pelo Vice-Grão-Mestre, Irmão Freddy Martinez Alfaro, além de Grandes Oficiais da GLP e representantes da 1ª Região Litúrgica.
Ao final do evento, o autor participou de uma sessão de autógrafos. A programação contou ainda com uma palestra do Irmão Kennyo no Oriente de Francisco Beltrão, na ARLS Santuário de Hiram n°93, no dia 9.
Rituais, símbolos e a vivência
Ao longo da apresentação, Ismail destacou que os rituais e símbolos precisam ser compreendidos e traduzidos em atitudes, que não devem ser fórmulas vazias. Para ele, a formação maçônica exige reflexão sobre os próprios hábitos, exercício das virtudes e compromisso com o próximo.
O escritor apresentou reforçou a definição da Maçonaria como um sistema de moralidade transmitido por alegorias e símbolos. Ao desenvolver o raciocínio, explicou que compreende a Ordem como uma ciência da moralidade, sendo um corpo de conhecimentos sistematizados, voltado à formação moral e ensinado por um método próprio. Como referência, mencionou autores clássicos da literatura maçônica, como Albert Pike e Albert Mackey, que empregam o termo ciência ao tratar da instituição.
Nessa perspectiva, Ismail situou o conhecimento maçônico no campo da filosofia moral ou prática e comparou a estrutura da instituição à de uma escola. Na qual os ritos representam diferentes escolas de ensino; os graus, como as etapas de aprendizagem; e os rituais, os livros didáticos; explicando que o Aprendiz inicia sua formação, enquanto o Mestre assume a responsabilidade de ensinar e compartilhar conhecimento.
Ao relacionar a iniciação à alegoria da caverna de Platão, o palestrante explicou que o momento representa um convite para superar crenças não examinadas e buscar conhecimento por meio da razão. “A luz é a razão, a luz é o conhecimento”, afirmou. Ressaltou, porém, que essa transformação não acontece automaticamente na iniciação e depende de um esforço contínuo de reflexão e aperfeiçoamento.
Para Ismail, a Maçonaria oferece ferramentas para que cada integrante desenvolva autonomia de pensamento e examine suas convicções. O desafio envolve questionar ideias herdadas da família, da cultura e da sociedade, identificando aquelas que contribuem para a liberdade e aquelas que limitam a compreensão do mundo.
Equilíbrio e responsabilidade coletiva
Outro exemplo apresentado foi a régua de 24 polegadas, associada à organização das 24 horas do dia. Segundo o escritor, os rituais antigos propõem sua divisão em três partes iguais: oito horas para o trabalho, oito para o descanso e oito para a dedicação a Deus e ao próximo.
Ao desenvolver essa interpretação, Ismail destacou a importância de reservar tempo para a família, o lazer, a saúde e o desenvolvimento pessoal. “E a gente romantizou o excesso”, observou, ao criticar a valorização de jornadas de trabalho que comprometem outras dimensões da vida. O simbolismo da régua, em sua abordagem, oferece uma orientação prática para buscar o equilíbrio.
A prática da caridade e o enfrentamento da intolerância também receberam destaque. Ismail relacionou o aperfeiçoamento dos costumes à necessidade de cultivar o respeito, reduzir o ódio e incorporar as virtudes às atitudes diárias.
A relação entre transformação individual e responsabilidade coletiva sintetizou uma das principais mensagens da palestra. “A lapidação da pedra é individual, mas a construção é coletiva. Aqui ninguém vem lapidar a pedra para pôr em uma vitrine”, disse. Na sequência, explicou que esse trabalho deve contribuir para uma construção social, dando ao aperfeiçoamento pessoal uma finalidade que ultrapassa o próprio indivíduo.
Sobre o palestrante
Professor, pesquisador e tradutor, Kennyo Ismail é graduado em Administração pela Universidade de Brasília e mestre em Administração pela Fundação Getulio Vargas. Também ocupa o cargo de Grande Secretário de Relações Exteriores da Grande Loja Maçônica do Distrito Federal.
Sua produção inclui Desmistificando a Maçonaria, O Livro do Venerável Mestre, Ordem sobre o Caos e os dois volumes de Maçonaria Brasileira: a história ocultada. Também é autor de Breviário Maçônico do Século XXI e Maçonaria sem fronteiras.
Como tradutor, trabalhou em obras como Ahiman Rezon: a constituição dos antigos maçons, de Laurence Dermott; A Constituição de Anderson (1723), de James Anderson; e Moral e Dogma, de Albert Pike. Seu currículo inclui ainda a tradução de Uma ponte para a Luz, de Rex R. Hutchens, além da revisão técnica e do prefácio da edição brasileira de Maçonaria para Leigos, de Christopher Hodapp.


























