No dia 15 de setembro de 2026, a Augusta e Respeitável Loja Simbólica Oliveira Zanini nº 45, estabelecida no místico e próspero Oriente de Campo Mourão, Paraná — Oficina tradicional e de colunas robustas —, realizou uma solene Sessão Pública Farroupilha em seu confortável e exuberante Templo Maçônico. O sodalício ilustrou, com riqueza de detalhes, como essa belíssima herança histórica, cívica e cultural é calorosamente abraçada e mantida incólume no interior do solo paranaense.
O magno evento contou com a augusta presença do Sereníssimo Grão-Mestre da Grande Loja do Paraná (GLP), Irmão José de Faria, acompanhado pelo Eminente Deputado do Grão-Mestre, Irmão Glaucio Antonio Pereira.
AUTORIDADES DA GRANDE LOJA DO PARANÁ PRESENTES
Abrilhantaram os trabalhos com suas ilustres presenças as seguintes altas autoridades da GLP:
• Evandro Breschiliare – Eminente Delegado do 5º Distrito
• Sergio Bergo de Carvalho – Eminente Delegado do 7º Distrito
• Miguel Pedro Abudi Júnior – Ilustre Ministro Titular do Superior Tribunal Maçônico
• Vagner Grola – Ilustre Membro da Grande Comissão para Atividades Paramaçônicas
• Marcelo Ortiz – Ilustre Membro da Grande Comissão de Ritualística (Rito Schroeder) e da Grande Comissão de Estudos Maçônicos
A CHAMA FARROUPILHA NO ALTAR DA FRATERNIDADE: AS SESSÕES PÚBLICAS NAS LOJAS DO BRASIL
A Sessão Pública Farroupilha, também consagrada no vernáculo maçônico como “Sessão a Galpão”, constitui uma das celebrações mais tradicionais e visualmente ricas da Maçonaria pátria. Conquanto tenha sua gênese e maior vigor no Rio Grande do Sul, essa cerimônia irradia-se anualmente por Oficinas de todo o território nacional durante o mês de setembro. Oficinas do Paraná, Santa Catarina, São Paulo, Mato Grosso, entre outras plagas, adotam essa venerável prática para homenagear a Epopeia de 1835 e exaltar a tríade perene de Liberdade, Igualdade e Humanidade.
Anualmente, a Maçonaria brasileira renova o seu perene compromisso com a historiografia e com a cultura nacional ao descerrar as portas de seus Templos para as tradicionais Sessões Magnas Públicas. Longe de ser um epílogo restrito às fronteiras sul-rio-grandenses, a exaltação da Epopeia Farrapa ecoa de Norte a Sul do País, irmanando Oficinas de diferentes Potências em torno de uma herança cívica que confunde a própria história da Ordem com a arquitetura social do Brasil.
Nesses augustos trabalhos — que contam com a prestigiosa e luminosa presença de cunhadas, sobrinhos, autoridades civis e militares, e conspícuos convidados da sociedade —, os Templos transmutam sua atmosfera decorativa. Em determinadas Oficinas, adota-se o rigoroso “Ritual a Galpão”, onde os paramentos tradicionais cedem espaço aos símbolos heráldicos da cultura gaúcha: o lenço, o pala, as bandeiras e a indumentária da pilcha. Substituem-se temporariamente os termos formais das dignidades por expressões do tradicionalismo campeiro (como “Patrão” e “Posteiro”), forjando uma simbiose perfeita entre o rigor litúrgico maçônico e a autenticidade telúrica do homem do campo.
UM ELO HISTÓRICO INQUEBRÁVEL
A realização dessas sessões em todo o território nacional justifica-se pelo fato de que a Revolução Farroupilha foi, essencialmente, uma revolução idealizada, insuflada e conduzida por maçons. Foi sob a influência dos ideais humanitários e iluministas propagados pelos obreiros da época que o movimento ganhou seu arcabouço intelectual, defendendo a autonomia federativa, a justa distribuição de impostos e a libertação dos cativos.
Mais do que celebrar a herança militar, as Sessões Farroupilhas promovidas pelas Lojas brasileiras exaltam a paz e a conciliação. O desfecho da guerra, selado pelo Tratado de Poncho Verde em 1845, foi integralmente mediado por maçons, demonstrando que mesmo em lados opostos das trincheiras (imperiais e republicanos), o juramento de fraternidade e o amor à Pátria falaram mais alto para evitar o derramamento de sangue e preservar a integridade nacional.
O LEGADO NO TEMPO PRESENTE
Atualmente, ao realizar essas cerimônias públicas, as Lojas Maçônicas do País não buscam apenas resgatar o passado em uma noite de apresentações culturais ou palestras históricas. O verdadeiro propósito consiste em reacender, no coração da sociedade, a chama da cidadania, da retidão moral e da busca incessante pela liberdade.
Quando maçons de todo Brasil celebram o 20 de setembro, eles relembram que as virtudes que guiaram os líderes da Revolução Farroupilha — como a busca incessante pela liberdade, a igualdade e a fraternidade — continuam sendo os pilares fundamentais para a construção de uma sociedade mais justa. A data resgata o papel histórico da Ordem na luta contra a tirania e reforça o compromisso de cada membro com o progresso social e a soberania nacional, imortalizando o culto às tradições e à altivez que caracterizam o espírito farroupilha.
APÊNDICE HISTÓRICO: A EPOPEIA DOS DEZ ANOS (1835 – 1845)
A Revolução Farroupilha (ou Guerra dos Farrapos) consolidou-se como a maior e mais longeva revolta civil da história do Brasil, estendendo-se por um decênio (1835 a 1845) na província do Rio Grande do Sul (expandindo-se posteriormente para Santa Catarina), contextualizada durante o Período Regencial e os albores do Segundo Reinado.
• O Contexto e as Causas: O estopim do levante residiu no descontentamento econômico da elite estancieira gaúcha (produtores de gado e charque) face aos altos impostos imperiais que oneravam o sal, o couro e o charque locais. Isso gerava uma concorrência desleal com o produto importado da região platina (Argentina e Uruguai), que entrava no mercado nacional com tarifas alfandegárias flagrantemente mais baixas. Ademais, clamava-se por autonomia federativa e administrativa, rejeitando os presidentes de província outorgados pelo poder central do Rio de Janeiro.
• Principais Protagonistas: Destacaram-se as figuras heróicas de Bento Gonçalves (militar, proprietário de terras e presidente da proclamada República Rio-Grandense); Giuseppe Garibaldi (o “Herói de Dois Mundos”, revolucionário italiano que liderou a expansão do movimento); Anita Garibaldi (sua intrépida companheira de combates); além dos generais David Canabarro e Antônio de Sousa Neto.
• A Paz de Poncho Verde (1845): Ao revés de outras insurreições regenciais que culminaram em execuções sumárias, a pacificação da fronteira sul deu-se por via de um sofisticado acordo diplomático conduzido pelo Barão de Caxias. O tratado garantiu anistia geral aos oficiais e soldados revolucionários, a incorporação dos oficiais farroupilhas ao Exército Imperial em postos equivalentes, a taxação protetiva de 25% sobre o charque estrangeiro, a prerrogativa da província de indicar seu próprio mandatário e a liberdade aos escravizados que combateram nas fileiras farrapas — conquanto o cumprimento deste último ponto guarde controvérsias historiográficas em razão do trágico episódio do Massacre de Porongos.
PONTOS ALTOS DA SESSÃO: ELOQUÊNCIA E TRADIÇÃO
Durante o transcorrer da magna sessão, sob o título temático “O DIA DO GAÚCHO: A Liberdade, a Guerra dos Farrapos e a Luz da Maçonaria”, o ilustre Irmão Rosney Massarotto de Oliveira apresentou uma substanciosa e brilhante peça de arquitetura. Em uma preleção de profundo lirismo e erudição, o palestrante reiterou que o 20 de setembro transcende as efemérides comuns, habitando a própria alma nacional como um perene clamor à liberdade. Sob as luzes da tradição, evocou o heroísmo de figuras magnas como Bento Gonçalves e Anita Garibaldi, ressaltando o protagonismo de líderes maçons que converteram ideais iluministas em ação cívica. Com igual sensibilidade, resgatou o sacrifício e a dolorosa memória dos Lanceiros Negros no Massacre de Porongos, advertindo sobre o elevado preço da dignidade humana. Por fim, exaltou a Paz de Poncho Verde como uma suprema lição de conciliação e sabedoria fraterna, conclamando a oficina a manter aceso o fogo da verdade e da justiça. Na peça apresentada, ficou demonstrado com clareza solar que os ideais que inflaram os peitos daqueles heróis em 1835 são os mesmos que os obreiros juram defender sobre o Livro da Lei.
De igual forma, em brilhante e eloquente discurso, o Irmão Orador, Luiz Carlos Feitoza, registrou e agradeceu a presença das autoridades maçônicas, civis e militares, bem como das cunhadas, familiares e convidados. Em sua vibrante alocução de acolhida e civismo, prestou tributo à identidade telúrica e à altivez do povo gaúcho, reverenciando não apenas os vultos históricos da Revolução Farroupilha, mas a têmpera dos homens e mulheres simples que, movidos pela justa indignação e pelo amor à sua terra, legaram às gerações futuras um patrimônio imaterial de resistência, hospitalidade e intransigente culto à palavra empenhada. Ao saudar os ilustres visitantes, o Irmão Orador consagrou o tradicionalismo campeiro como a manifestação viva de um espírito que não se curva ante as vicissitudes, asseverando que as colunas da Loja Oliveira Zanini se mantêm firmes porque não esquecem o passado, mas projetam sua Luz para o futuro. Finalizou conclamando a todos para que a coragem farroupilha sirva de cinzel eterno no desbaste da indiferença social e invocando as bênçãos do Grande Patrão do Céu sobre a assistência.
Ao encaminhar para o encerramento do magno evento o Venerável Mestre, Irmão Edson Segura Battilani, agradeceu a presença do Sereníssimo Grã-Mestre e eminente Deputado do Grão-Mestre, dos maçons, Cunhadas, Sobrinhos, autoridades civis e militares que compareceram à sessão, fazendo o registro, em resumo, de que os maçons de todos Brasil celebram o 20 de setembro, como forma de relembrar que as virtudes que uniram os farrapos em torno de um ideal comum transcendem as fronteiras do Rio Grande do Sul. O patriotismo, o respeito à dignidade humana e a defesa do federalismo servem como um lembrete anual de que a união de propósitos é a força motriz capaz de superar as divisões e fortalecer a República.
Ao término dos trabalhos, o Sereníssimo Grão-Mestre, Irmão José de Faria, proferiu uma alocução de elevado teor filosófico e cívico, não sem antes registrar que o Venerável Mestre, Irmão Edson Segura Battilani empunhou o malhete com sabedoria e prudência, governando a oficina com singular eficiência e equilíbrio. Sua condução serena e firme permitiu que os trabalhos transcorressem em um ambiente de profunda paz e elevação espiritual, provando que a verdadeira autoridade maçônica se manifesta na suavidade do trato e no zelo intransigente pelas nossas tradições. Ao cabo e arrebatando a assistência discorreu sobre o profundo significado espiritual e social da efeméride. Disse: “Meus Irmãos, distintas cunhadas, queridos sobrinhos e diletos convidados. Estar nesta Oficina de colunas tão fortes e tradicionais para celebrar a Epopeia Farroupilha é, acima de tudo, um ato de profunda profissão de fé nos destinos da nossa Pátria. Quando contemplamos a história, percebemos que o heroísmo de Bento Gonçalves, de David Canabarro e de Giuseppe Garibaldi não foi o mero fruto de um ímpeto belicoso, mas sim o reflexo das luzes recebidas nos altares de nossas Lojas de vanguarda, como a augusta Philantropia e Liberdade. Aquela epopeia de dez anos nos ensina que a Maçonaria não assiste à história de forma passiva; ela a molda através do esquadro da justiça e do compasso da moderação. O maior legado farrapo não reside nas armas, mas na capacidade de conciliação demonstrada na Paz de Poncho Verde, onde o juramento fraterno sobrepujou as trincheiras ideológicas para preservar a integridade da nossa nação. Que a chama acesa neste Oriente de Campo Mourão nos inspire a sermos, no tempo presente, os farrapos da moralidade, os paladinos da cidadania e os eternos guardiões da liberdade contra qualquer forma de tirania.”


















