Sessão Pública de Independência reúne as três potências regulares no Paraná

A Maçonaria Paranaense realizou, nesta quarta-feira (2), uma sessão pública em comemoração à Independência do Brasil e à Semana da Pátria, no Templo Nobre do Grande Oriente do Paraná (GOP), no Oriente de Curitiba.
O evento reuniu as três Potências Regulares do Estado: Grande Loja do Paraná (GLP), Grande Oriente do Paraná (GOP) e Grande Oriente do Brasil – Paraná (GOB-PR), que representam as 548 Lojas Simbólicas em solo paranaense e seus milhares de Obreiros.
A cerimônia, que foi transmitida ao vivo pelo canal Maçonaria Paranaense no YouTube, contou com a presença de aproximadamente 300 pessoas, entre autoridades maçônicas, maçons, familiares e representantes de entidades paramaçônicas.
Durante a Sessão, os Grão-Mestres José de Faria (GLP), Vladimir Pires Martins (GOP) e Paulo Socher (GOB-PR) falaram sobre a importância histórica desta efeméride nacional e discorreram sobre o papel da Maçonaria no passado, no presente e no futuro, além do simbolismo desta celebração conjunta que chega à sua sexta edição.
Além dos discursos dos Grão-Mestres, a sessão contou com uma palestra proferida pelo Irmão Guilherme Stival Gaspari, Grande Secretário Adjunto do Rito Brasileiro (GOP). A apresentação foi intitulada: “Soberania e as Raízes Maçônicas na Independência do Brasil”.
O vídeo completo do evento pode ser acessado neste link.

Leia o discurso dos Grão-Mestres na íntegra:

Somos todos convocados nesta ocasião à reflexão profunda sobre o significado da nossa emancipação política. Quando nos voltamos para o ano de 1822, constatamos a presença vigorosa das Lojas Maçônicas no epicentro dos acontecimentos que culminaram no nascimento do Brasil soberano. Homens ilustres, fortalecidos pela doutrina do Templo, usaram a coragem e a inteligência para romper as correntes que prendiam nossa terra ao passado colonial.
Entretanto, cumpre-nos examinar essa herança histórica com perfeita lucidez. A Independência do Brasil deve ser compreendida como a pedra fundamental de um edifício em perpétua construção, jamais como uma obra concluída. A história nos ensina que erguer a estrutura inicial representa apenas o primeiro passo de uma jornada contínua.
Um perigo silencioso, contudo, ronda nossas fileiras: a vaidade paralisante. Pode existir entre nós a tentação de buscar refúgio nas glórias do passado para justificar a inércia do presente. Olhar para os feitos dos nossos antepassados com orgulho constitui dever justo; contudo, usar esse legado como pretexto para qualquer acomodação representa uma falha grave perante os princípios da nossa Ordem. A inércia mascarada de orgulho histórico sufoca o espírito inovador.
O Maçom precisa manter-se atento para evitar a ilusão dos atos apequenados. Fazer excessivo alarde por contribuições modestas, pretendendo equipará-las aos sacrifícios gigantescos dos fundadores da Pátria, denota ausência de modéstia e falta de autocultura. A Pedra Bruta exige o trabalho firme e constante do Malhete e do Cinzel. Acomodar-se diante das primeiras lascas removidas significa estagnar a evolução moral e espiritual.
Os desafios geracionais do tempo presente solicitam de nós respostas concretas. A juventude busca exemplos vivos de integridade, rejeitando discursos vazios alimentados apenas por saudosismo. O filósofo Sêneca, nesse sentido, nos legou uma lição atemporal sobre o rumo das nossas ações: ‘Qualquer vento se torna inútil a quem desconhece a qual porto deseja navegar.’
Se o nosso porto é a edificação de uma sociedade livre, justa e ética, precisamos transformar a memória histórica em combustível para o trabalho no presente. Deixemos de lado a contemplação estéril e assumamos o compromisso de talhar, a cada dia, a realidade do Paraná e do Brasil.
Dando continuidade à reflexão iniciada pelo meu querido Irmão, torna-se imperioso direcionar nossa atenção para a mais nobre de todas as emancipações: a independência de consciência.
A Maçonaria ergue-se, ao longo dos séculos, como um santuário inviolável do livre-pensamento, com autossuficiência. O Templo Maçônico abriga a busca sincera pela verdade, mantendo as mentes dos seus obreiros resguardadas do fanatismo, da ignorância e dos erros. Diante das turbulências e polarizações que afetam a sociedade contemporânea, a Ordem Maçônica reafirma a soberania absoluta do seu pensamento moral e seu existir institucional autossuficiente.
É preciso declarar com firmeza: a Maçonaria recusa terminantemente a colocação de cabrestos, sejam eles ideológicos, partidários ou doutrinários. Repudiamos qualquer tentativa de submeter nossa Instituição a interesses alheios aos nossos ensinamentos, que são muito cristalinos. A Maçonaria permanece altiva, mantendo a espinha ereta perante o Estado, modismos passageiros ou pressões externas que busquem escravizar nossas consciências e gerar dependência.
O Prumo nos ensina a retidão vertical da postura moral; o Nível nos recorda a igualdade de todos perante as leis da natureza; o Esquadro baliza nossas ações na moralidade; e o Compasso delimita nossas paixões. Guiado por esses instrumentos, o Maçom conserva sua autonomia intelectual e moral. Ele analisa o mundo com discernimento próprio, imune à manipulação das massas ou ao ruidoso clamor de forasteiros.
A independência de consciência rejeita a servidão voluntária. Mantenhamo-nos imunes à superficialidade do saber, à polarização ruidosa que divide famílias e enfraquece instituições. O Templo Maçônico acolhe a divergência respeitosa e promove o diálogo elevado, embasado em conhecimento. Qualquer tentativa de transformar nossa doutrina em cabresto encontrará nossa mais decidida resistência moral.
O filósofo Immanuel Kant, ao abordar a capacidade humana de pensar criticamente, imortalizou a máxima latina: ‘Sapere Aude! Tenha a coragem de usar seu próprio entendimento!’
A verdadeira independência começa no interior de cada indivíduo no momento em que ele rompe as amarras da tutela intelectual alheia. A preservação da nossa doutrina exige vigilância constante. A independência de consciência constitui o escudo que protege a Maçonaria contra o arbítrio e a intolerância, garantindo a perpetuidade da nossa missão sagrada no Paraná.
Completando este tríptico de reflexões, cumpre-nos responder à indagação fundamental: de que maneira transformamos então esses princípios em realidade palpável? A resposta reside em uma única palavra: protagonismo.
O protagonismo do Maçom deve ser praticado através de fatos, distante da retórica superficial. As independências necessárias no tempo presente exigem a superação da apatia, do analfabetismo ético, do egoísmo e da desigualdade. Se em 1822 a luta exigia a ruptura com uma metrópole estrangeira, no século XXI a batalha solicita a libertação da nossa sociedade em relação às sombras da ignorância e da degradação moral.
A Maçonaria do Paraná — representada com altivez pelo Grande Oriente do Brasil-Paraná, pela Grande Loja do Paraná e pelo Grande Oriente do Paraná — demonstra sua força maior ao caminhar unida. Esta convergência fraterna representa uma ferramenta poderosa de transformação social. Somando nossas energias, multiplicamos nossa capacidade de praticar o bem e de influenciar positivamente os rumos da nossa terra.
O verdadeiro obreiro compreende que a lapidação da Pedra Bruta ocorre dentro do Templo, contudo a utilidade da Pedra Cúbica se revela na construção da Sociedade. Ser maçom em nossos dias requer atitude corajosa diante dos problemas sociais. Significa atuar como mediador de conflitos, defensor da justiça, incentivador da educação e promotor da solidariedade nas comunidades onde vivemos.
O pensamento do escritor e filósofo Johann Wolfgang von Goethe sintetiza essa urgência de atitude: ‘Pensar é fácil, agir é difícil; e colocar os pensamentos em prática representa a tarefa mais grandiosa da existência.’
Superemos em definitivo a letargia e o contentamento com resultados medíocres. Rejeitemos a vaidade que imobiliza e abracemos a humildade que realiza. Que esta Sessão Especial Conjunta renove em cada coração a chama do civismo e o entusiasmo pelo trabalho redentor.
Somos convocados a ser construtores vivos de um Paraná e de um Brasil mais fortes, éticos e fraternos. Que a luz da razão e o amor à humanidade continuem a guiar nossos passos hoje, amanhã e por todas as gerações vindouras.
Que o Grande Arquiteto do Universo abençoe a Maçonaria Paranaense e a nossa Pátria.
Juntos somos mais fortes!

Para assistir a cerimônia completa acesse clique aqui.

Por Grande Secretário de Comunicações Institucionais, Ari Lemos

Grande Loja do Paraná
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